Margem de Lucro em Produtos: Como Definir o Preço de Venda Sem Perder Dinheiro
Publicado em 31 de outubro de 2025 | Tempo de leitura: 6 minutos
Tem empresa que vende bastante e mesmo assim fecha o mês no vermelho. Vende, paga fornecedor, paga imposto, paga conta fixa, e no final sobra pouco ou nada. O problema, na maioria das vezes, está na margem de lucro. Ou melhor: na falta de uma margem calculada direito.
Muita gente define o preço de venda colocando "uns 30% em cima do custo" e acha que está lucrando 30%. Não está. E essa confusão entre markup e margem é uma das principais armadilhas de quem precifica no feeling. Se você quer entender como o cálculo funciona na prática, temos um artigo explicando a diferença entre margem e markup passo a passo.
O preço de custo não é só o que você pagou ao fornecedor
Esse é o primeiro erro. O preço na nota do fornecedor é só o começo. Antes de definir a margem, você precisa considerar tudo o que incide sobre aquele produto até ele chegar ao cliente:
- Frete: se você pagou R$ 50 de frete para trazer 10 unidades, cada unidade custou R$ 5 a mais.
- Impostos na compra: dependendo do regime tributário, parte dos impostos não é recuperável e vira custo.
- Impostos na venda: Simples Nacional, ICMS, PIS, COFINS. Cada venda tem uma fatia que vai para o governo.
- Comissão: se o vendedor ganha comissão sobre a venda, esse percentual precisa entrar na conta.
- Despesas fixas: aluguel, luz, internet, salários. Esses custos existem mesmo que você não venda nada, e precisam ser cobertos pelo faturamento.
Quando tudo isso é ignorado, a "margem de 30%" que parecia boa na verdade pode ser de 5% ou até negativa. A empresa vende, gira estoque, mas não sobra dinheiro.
Como montar o preço de venda considerando tudo
A lógica é inversa do que a maioria faz. Em vez de somar uma porcentagem em cima do custo, você precisa partir do custo e dividir pelo que sobra depois de tirar todos os percentuais que incidem sobre a venda.
Para isso, você precisa levantar quatro números:
- Custo real do produto (preço do fornecedor + frete rateado + impostos não recuperáveis)
- Percentual de impostos sobre a venda (depende do seu regime tributário)
- Percentual de despesas fixas (total das despesas fixas dividido pelo faturamento médio mensal)
- Margem de lucro desejada (quanto você quer que sobre de fato)
Com esses números, a fórmula do preço de venda fica:
Preço de Venda = Custo / (1 - Impostos% - Despesas% - Comissão% - Margem%)
Todos os percentuais em formato decimal (ex: 10% = 0,10)
Se quiser ver exemplos detalhados com números reais e entender por que essa fórmula funciona, dê uma olhada no nosso artigo sobre como calcular a margem de lucro na prática.
Descubra quanto suas despesas fixas pesam no preço
Essa é a parte que muita gente pula. Despesas fixas (aluguel, energia, internet, contador, salários administrativos) existem todo mês independente do quanto você vende. Elas precisam ser diluídas no preço dos produtos.
O cálculo é simples: some todas as despesas fixas do mês e divida pelo faturamento médio mensal. Se suas despesas fixas são R$ 8.000 e o faturamento médio é R$ 60.000, as despesas representam cerca de 13% do faturamento. Esse percentual precisa entrar na formação do preço.
Quando o contas a pagar está organizado com grupos e subgrupos, esse número sai direto dos relatórios. Se o seu financeiro ainda não está assim, vale a pena dar uma olhada nas dicas sobre contas a pagar para organizar isso.
Nem todo produto precisa da mesma margem
Um erro comum é aplicar a mesma margem para tudo. Produto que gira rápido pode ter margem menor porque o volume compensa. Produto que fica parado no estoque precisa de margem maior para justificar o capital empatado.
Serviço de mão de obra, por exemplo, costuma ter margem bem maior que produto físico, porque o custo direto é basicamente o tempo do técnico. Já peças de reposição com preço tabelado pelo fabricante deixam pouco espaço para margem, e a empresa precisa ganhar no serviço.
O importante é saber a margem real de cada item. Quando o cadastro de produtos tem o preço de custo preenchido e o percentual de margem definido, fica fácil enxergar onde a empresa ganha mais e onde ganha menos. E aí as decisões de precificação deixam de ser no achismo.
Resumindo
- O custo real do produto inclui frete, impostos não recuperáveis e outros custos de aquisição, não só o preço do fornecedor.
- Impostos sobre a venda, comissão e despesas fixas precisam entrar na formação do preço.
- Colocar "30% em cima" do custo não é o mesmo que ter 30% de margem.
- Produtos diferentes podem (e devem) ter margens diferentes.
- Ter o preço de custo e a margem registrados no cadastro de produtos permite enxergar a lucratividade real de cada item.
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